sábado, 26 de setembro de 2015

Setembro de Primavera

Dia onze de setembro, eu diria que devido os idos, não é muito promissor. Afinal, é dia de queda de torres e gêmeas Nada auspicioso, eu sei. Mas foi no onze de setembro que uma coisa começou, e não sei se tenho medo que acabe ou continue.

É em setembro que as flores nascem, as amarelas são as que mais gosto. É em setembro que o sol brilha ameno nas manhãs de labuta. E a noite é clara e não escura. Eu não transo um trago, prefiro um afago para dar cabo da solidão.

E tinha que ser assim, sem saber enfim se mentira ou se verdade. Por que precisa ser difícil com um mundo tão cheio de facilidades? É para dar valor ou é para sofrer uma metade... da vida. Quem pode imaginar o que será, ou que seria?

Eu diria que é melhor acabar agora, antes da hora de doer mais, a gente sabe rapaz, que não é assim que se dança essa dança de distância. E contar que se eu chegar de surpresa, para te fazer feliz e me der de cara com uma tristeza que tem nome e pode ser Maria ou Tereza.

Acho que não mais aguento, acho que do peito eu mesmo me arrebento. Porque a alegria vem de domingo, e na sexta e no sábado me fazes suspirar, da falta que já tenho e da imaginação d' uma louca tudo se pode esperar. Já cogito mulher, filhos e um cão para a casa guardar. Já destruí todo sonho que nem comecei a sonhar.

E você sabe rapaz que isso vai acabar, sem contar que eu posso me apaixonar e gostar mais de ti que já gosto e não devia, e daí que foste tudo por água abaixo, pois eu jamais pediria para desfazer o tudo que tens, é uma vida pela outra, e ninguém talvez tenha também coragem, ninguém queira deixar a segurança ainda que falsa dos dias aqui donde estou, donde estás.

Que praga, eu julgando os passos até a zona oeste. Para descobrir que a felicidade pode e está mais longe, ainda mais longe, que não basta dizer já vou e fui. Não podia ser fácil, não é, e não será! E nem sei qual a parte de todas que vai superar em toda a dificuldade que vamos encontrar, há de ter uma que será a pior delas. A pergunta é, qual será? Que todo obstáculo se desfaça, esse é meu desejo.

Mas setembro é primavera, e nele só coisas boas hão de acontecer. Não desapareça, nem mesmo no sábado, já não há lei que pregue que devas ser guardado, mande uma margarida, de sinal de vida, pegue um avião ou ao menos boas noticias, e diga:

- Eu tô chegando agora, em novembro, em dezembro, pr´o teu aniversário!!!!

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

O que é...

O que é o amor?
É quem falta, a dor pungente da ausência,
a frustração de não ter?
O alguém que te enlouquece,
só em respirar, o fogo?

O que é o amor?
É quem sobra, que abranda a pena,
o trato com jeito que inunda,
o doce afago?
É alguém que vem com conforto e afeto?

O amor é a falta ou a sobra?
O amor é a medida.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Eu preciso deixar...

Eu preciso deixar
Que Deus cure minhas feridas
De uma vez por todas

Ainda que eu persiga a dor
Como urubus perseguem a carniça
Cada lágrima que cai
É um muro de gelo que sobe

Eu olho no espelho
E vejo um rosto duro e amargo
Que ninguém vê

Arrumei um par de óculos
Para me esconder
Eu não gosto de quem vejo
Eu preciso deixar que me deixem.

Passado, presente, futuro.
Eu tenho medo.
E não tem fim.

Consciência

A nossa mente pode nos levar a lugares que não queremos ir. De fato, tenho um coração agradecido, considero a gratidão, um dos mais nobres sentimentos, pois está livre do egoísmo. Mas, continuando a pensar na vida e no futuro próximo, embora grata por tudo e mais um pouco, tenho questionado determinados pensamentos meus.
Estes tem me levado a lugares não muito agradáveis, lugares onde não quero estar, mas que acredito serem inevitáveis.

Como cristã, tenho o dever de anunciar que nunca, jamais estou sozinha, e creio nisto com todas as minhas forças, não só pela fé, mas pelos acontecimentos, Deus não precisa me provar nada, porém de maneira muito concreta tem movido as coisas para me socorrer em muitas áreas da vida. Sei que o Espírito Santo está comigo e sobre mim, como um guardião fiel e como Rei que é, sou grata por se importar comigo. Mas minha consciência tem me levado a uma arena de solidão, e lá tem sido triste.

Sei que quando deixar esta vida, espero em Deus, que para os céus, terei descanso, debaixo da glória do Senhor não haverá necessidade de cia, nem falta de ninguém, seremos todos irmãos em Cristo glorificados, diferente daqui onde Deus fez o homem e a mulher para caminharem juntos.

É agora que minha consciência me acusa de ser sozinha por minha culpa e me descortina um futuro seco, cheio de divertimento, alegria e felicidade solitários, pois muito provavelmente os filhos não virão, e ao envelhecer minhas próprias pernas terão de me carregar onde quer que eu precise ir. Até a velhice chegar, terei muitas fotos de viagens, lugares, onde haverá apenas uma pessoa no cenário, nos restaurantes que freqüento, há somente um lugar à mesa, quando cozinhar a porção será para uma pessoa, o lugar ao meu lado no cinema continuará vazio, de noite quando sinto frio, no futuro será exatamente igual, eu e a cama gelada, quando quero dar um beijo e um abraço de amor, não tem ninguém e não terá, quando eu preciso me sentir protegida e cuidada continuará sem ninguém lá para eu segurar a mão, se levar em consideração que nem meu próprio pai ficou, porque outro homem ficaria. A solidão é algo doloroso, porque precisa ser vivida só, este é seu nome, não há solidão compartilhada, não se juntam solidões, e nem sei se esta palavra existe.

Tudo que sei, ou melhor, o pouco que sei vai morrer comigo. Acredito que vim ao mundo para fazer amigos, tenho poucos e bons e que constroem suas vidas, enquanto eu fico. Acredito que vim ao mundo para distribuir sorrisos, encantar crianças, mais que elas me encantam, aliás, tenho medo delas, elas podem roubar meu coração.

Todos que podiam ficar escolheram partir. Nenhuma das pessoas que me atraem estão perto de mim. As paixões foram rasas, as dores levianas, os amores não tinham como propósito o amor em si, funcionaram como um ponto de salvação, para todos que amei falei de Cristo, plantei a semente e aguardo o fruto, creio que virá.

Estou cansada, de verdade, não tenho vergonha do que sinto, não preciso parecer suficiente e independente para ninguém, cuido da minha própria vida da melhor forma possível dentro das possibilidades que tenho, e sou feliz por isso. Não tenho medo de revelar minha fraqueza, porque sei quantas bolas já matei no peito e quantos gols já fiz, mas na vida a dois, sou um completo abismo, é meu calcanhar de Aquiles, minha ferida aberta, minha cruz.

Então, minha consciência me leva pra uma casa grande e vazia, me aponta como um cachorro magro, que durante o dia brinca na rua e se diverte tanto quanto pode, e de noite dorme sozinho debaixo da marquise.    

domingo, 6 de setembro de 2015

Mensagem para você, ou não.

Costuma ficar tudo bem. É bom a maior parte do tempo, quando ninguém se aproxima. É fácil, seguro e protegido. Desde que se mantenham longe o bastante, o mais distante possível. Se assim for, o tempo é sempre claro e o céu é sempre azul. 
Certamente, todos já ouviram a frase que diz que a pior mentira é a que contamos a nós mesmos. Mas eu costumava ignorar frases como esta, até agora. Acho que de todas as mentirosas eu sou a pior delas, porque nunca consigo mentir para ninguém, exceto para mim, o que me redime de certa forma. Porque Deus mantém seus olhos em mim, e creio que Ele se agrade dessa qualidade, da qual não devo me vangloriar, é um dever e ponto. 
O curioso é que mesmo quando a verdade bate à minha porta, eu insisto em jogá-la para debaixo do tapete. Azar ou sorte, um Q de Sherlock, eu sempre sei, pressinto, vejo, recebo numa bandeja, a verdade sobre aqueles que se aproximam de mim. E todas as vezes, essa verdade dói, dói o suficiente para que eu a ignore e opte pela dor da ilusão e da mentira que eu mesmo crio, eu mesmo conto, invento, vivo e depois mato. Qualquer um dirá, procurando pela pessoa errada, o que mais você encontrará além de mentiras?! Principalmente, se o tipo que te atrai é o tímido, misterioso e que nunca deixa rastro, mas até desse tipo eu consigo levantar a sujeira. 
E além do mais, ninguém me verá procurando encrenca, eu não ando por aí nos bares para cruzar olhares, nem nas baladas para esbarrar no príncipe encantado, nem em restaurantes para derrubar talheres e chamar atenção do moço bonito e sozinho da mesa ao lado. Muito menos nas reuniões de solteiros da igreja para arrumar marido. Eu ando discreta o bastante para não chamar atenção e para me esconder, e ainda assim, volta e meia, alguém me descobre no churrasco da melhor amiga, na rede social, invade meu WhatsApp e transforma a minha pacata vida numa bagunça irremediável por ter um par de olhos de jabuticaba. 

Esta mensagem é para você, que não presta atenção suficiente em mim, não mantém nenhum tipo de conexão comigo, nem real, nem virtual, não me dá ibope, nem moral, que some do nada, me deixa falando sozinha, me ignora, brinca comigo e acha que tudo está absolutamente normal. Esta mensagem é para você, que mesmo sem me conhecer e nem se importar comigo, se acha no direito de voltar depois de meses, e perguntar quais são minhas intenções com a sua pessoa? Você não tem direito a essa pergunta enquanto não me conhecer. Eu não dou resposta para estranhos. Porém, no seu caso, abrirei uma exceção, acho que preciso disso para me libertar do peso que é ter te conhecido, ainda que só a casca, e para nunca mais tê-lo invadindo meus sonhos. Você é um babaca, cretino e por esse motivo eu não deveria respondê-lo! Mas para viver como eu vivo, honesta e francamente, é preciso coragem. Eu lhe darei a resposta, a resposta que você merece e te devolverei uma pergunta, a qual eu tenho pleno direito de obter a resposta. 

Quando você apareceu, eu desconfiei. Afinal, como alguém assim aparece do nada no meio do meu sonho, invade meu pensamento sem razão, nem motivo? Logo tratei de te esquecer. Coincidências a parte, uma mensagem de feliz aniversário vinda de você, me fez querer te ver, mais que eu gostaria. E então, aconteceu... um encontro desastroso e ponto final. Algumas tentativas de desenrolar conversas e coisas afins, mas percebi que não tinha ninguém muito a fim. Era só eu querendo alguém, que não me queria. E desisti. Pronto. Acabou. Era para você sumir e nunca mais voltar.

O que eu penso sobre você, eu penso exatamente o quê o Nando Reis diz: assim do seu tamanho, ruivo, descabelado, louco, apaixonado, diferente, quente, ardente, tímido e original. Um cara legal. Um ótima cia. Alguém quem eu gostaria de conhecer melhor, e do resto... seja o que Deus quiser. E como eu gostaria de saber o quê o Senhor quer a respeito de nós. 

Mas continuando sua resposta, apesar de você dizer que se importa com o que eu penso e sobre o que eu quero com você, as palavras não dizem nada, atitudes sim, e você tem um carreira de 37 anos de puro blá blá blá. Ser curioso e se importar com a opinião dos outros, são coisas completamente diferentes, o que você quer é confete, e você prefere que eles venham de mim, porque são sinceros; Admita, você não está nem aí para mim! 

Se você se importasse de verdade e realmente quisesse a resposta verdadeira para essa pergunta, você descobriria a resposta no dia-a-dia, na amizade, na confiança e até entre um beijo e outro, talvez. Porém, o que você deseja é o básico, é obvio e você é suficientemente covarde para admitir, uma noite apenas, por pura curiosidade de se deleitar com uma caipira. Para poupar esforços e sofrimento, era só pedir e a resposta seria não. É um direito meu. Não é necessário enfeitar as coisas. 

E sabe porque eu sei, o que você quer. Porque enquanto você joga esse papinho mole no meu Whats, escondido para ninguém saber, com pouco investimento e muita cara de pau, ao mesmo tempo, você investe atenção, dinheiro e verbo para conquistar as garotas descoladas do Instagram. Eu mesma mandei você procurá-las para torrar a paciência delas e não a minha, na esperança que você fosse lutar e retrucar o contrário, mas você concordou. Como eu sei disso, eu sempre sei. Ligar os pontos e os fatos é natural para mim, porque eu observo as pessoas como elas nem imaginam. E sei, todas são previsíveis, inclusive eu. 

Logo... volte para suas garotas, seus vinhos opulentos, seus restaurantes, continue a dar a elas, toda atenção, carinho, afeto, ibope, curtidas e afins. Esqueça que um dia me conheceu, finja que eu não existo, apague da sua lista para nunca mais voltar, mas antes disso olhe dentro dos meus olhos tristes de tanta pancada que eu já levei da vida, e me responda honestamente uma única pergunta: 

- Por que eu ??? Por que eu??? Por quê???



sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Prezado

Se quiser me chamar para sair
Fique a vontade
Mas não ofereço mais que breve cia
E uma doce amizade

Faz tempo que as coisas não dão certo
Ando meio desesperançada
E da vida, desta, não espero mais nada

São poucos os que me despertam curiosidade
São poucos os que chegam com a idade
E este é meu pensamento mais honesto

Repito toda vez que é a última
Mas a última nunca é
Alguns são viciados em drogas
Outros no que vier

Eu sou viciada na perda
Em busca de alguém para me deixar
Pois então, se quiser vir que venha
Mas não dê a impressão que vai ficar

Mentir para gente como eu é triste
Dá a sensação que a pessoa existe
Para que outra possa enganar

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Rebeldia

De novo repito não me envergonho disso, na verdade tenho um pouco de pena de mim mesma, e isto é muito feio, pena se sente em situações lamentáveis, pena é feio por si só, mas sinto.

 E Deus sabe disso, sabe de coisas piores que estas, se Dele eu nada escondo, porque deveria me esconder das pessoas.

Me vejo como uma criança que pede um bicicleta para os pais, os pais compram a bicicleta, não aquela que a criança queria, outra.

Então, a criança agradece o presente, mas nunca anda nela, não toca nela, a abandona. Os pais se irritam e dizem que nunca mais compraram presente algum.

Eu peço a Deus um amor, Ele me dá um amor, não aquele que eu quero, mas outro, eu simplesmente abandono, ignoro e jamais mexo nele. Chuto pra fora com toda a força. Deu se ira comigo, como pai que é, e nunca mais manda o amor de novo.

E tenho a consciência de que isso está acontecendo, e ela me leva para um lugar aonde não quero ir, o lugar das pessoas que não tem ninguém.