Fico olhando a conduta da minha mãe, quando entro em desespero. Uma mulher linda, jovem, com duas filhas adultas, e somente 49 anos que a idade não destruiu. Continua perfeita, com corpo de adolescente, olhos infinitamente verdes, e alma e coração de dar inveja a qualquer um. Resignada, alegre, lutadora, um exemplo de mulher guerreira e sozinha. Separada a quase vinte anos, sem um abraço, sem um beijo, vivendo para as filhas, será que ela é feliz? Espero sinceramente que sim, pois ela escolheu um caminho, o caminho do amor próprio. Refletindo sobre a máxima, homem é tudo igual, então porque as mulheres escolhem tanto? Porque se homem fosse bom, minhas tias não estariam solteiras até hoje, depois de mais de meio século. Falando assim a idade pesa, porém mesmo com idade acima dos 50, são mulheres deslumbrantes, pobre dos homens que não as amaram.
E agarrada no amor próprio e na fé, minhas parentas seguem seus dias de solidão. Logicamente, o amor de Deus por nós é real e nisso cremos e muito, com toda a nossa força e coragem, colocamos Deus na frente dos nossos passos para retirar do caminho os inimigos e nas mãos Dele está nosso destino. Mas o amor de Deus não preenche no coração o espaço que o Próprio Deus separou para o homem. Deus alivia nossa angústia. Mas não preenche o espaço que reservou para o homem. E na Bíblia está escrito - "Dái ao homem o que é do homem, e daí a Deus o que é de Deus." Mais explícito que isso, impossível.
E quando ela me vê aos prantos, chorando por uma dor sem solução, me abraça com tamanho afeto e gratidão, olha nos meus como se eu fosse um presente para a vida dela, e se explica de maneira afável, dizendo com palavras simples - Filha, olha pra mim. Como você acha que me sinto? - E me sinto culpada, por dizer a ela coisas que ela não merece ouvir, sobre como me sinto sozinha, me sinto triste, da solidão implacável que derrama nos meus olhos lágrimas que nunca sessam. E eu adormeço no seu abraço, a última imagem que tenho é do seu sorriso, e quando acordo nessa manhã de sol, vejo seus olhinhos cansados, mais uma vez seguindo para o trabalho. E percebo que nada posso fazer para ajudá-la na sua estrada. Além de amá-la todos dias.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Medo
Sempre é bom sentir medo. Medo costuma salvar a gente de muitas enrascadas. Se você tem medo de morrer, talvez não se drogue. Se você tem medo de ser assaltado, talvez não fique de bobeira na rua até altas horas da noite, com o carro parado no farol e os vidros completamente abertos. ( Isso também se encaixa no medo de morrer - risos ) Se você tem medo de ficar sem suas calças e carteira, talvez não fique bêbedo numa festa de desconhecidos ou numa balada qualquer. E digo talvez, porque tudo é muito relativo, às vezes, o medo não segura ninguém.
Mas tem medo "muito bom" de sentir. Medo de despencar no TurboDrop, é medo bom. Medo de cair do balanço, também é bom. Medo de montanha-russa, é bom. Mas esses medos bons, são adrenalina. E bandido quando corre da polícia também tá adrenado. Mas esse medo não é bom.
Tá vendo, como as coisas são relativamente próximas. Eu particularmente tenho medo de tudo, principalmente o de me dar mal. Me dar mal em tudo. Medo de ter um emprego na média (eu tenho emprego), medo de ficar sozinha (estou sozinha), medo de não ter dinheiro (não tenho dinheiro). Tá vendo como medo pode muito bem te ferrar e te proteger.
Um medo leva a outro, medo é bom mesmo quando é ruim, desde que não suba pra cabeça e vire pânico. O corredor do medo tem porta, o do pânico, não tem! Risos.
Espero que dessa vez, tudo de certo, certo no sentido da minha preservação, bons homens e boas mulheres estão em extinção, não quero correr o risco de ser a próxima intolerante da vez. Que pelo menos dessa vez seja agradável, porque no fim das contas, o que todos nos queremos é diversão, com um pouco de felicidade adjunto, mesmo com frio na barriga, medo e tudo mais.
Mas tem medo "muito bom" de sentir. Medo de despencar no TurboDrop, é medo bom. Medo de cair do balanço, também é bom. Medo de montanha-russa, é bom. Mas esses medos bons, são adrenalina. E bandido quando corre da polícia também tá adrenado. Mas esse medo não é bom.
Tá vendo, como as coisas são relativamente próximas. Eu particularmente tenho medo de tudo, principalmente o de me dar mal. Me dar mal em tudo. Medo de ter um emprego na média (eu tenho emprego), medo de ficar sozinha (estou sozinha), medo de não ter dinheiro (não tenho dinheiro). Tá vendo como medo pode muito bem te ferrar e te proteger.
Um medo leva a outro, medo é bom mesmo quando é ruim, desde que não suba pra cabeça e vire pânico. O corredor do medo tem porta, o do pânico, não tem! Risos.
Espero que dessa vez, tudo de certo, certo no sentido da minha preservação, bons homens e boas mulheres estão em extinção, não quero correr o risco de ser a próxima intolerante da vez. Que pelo menos dessa vez seja agradável, porque no fim das contas, o que todos nos queremos é diversão, com um pouco de felicidade adjunto, mesmo com frio na barriga, medo e tudo mais.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Drummond, por que você morreu?
Carlos,
Por que você morreu? Quando eu tinha apenas cinco anos, você morreu. Será que não sabia que de ti eu precisaria depois de gente grande.Por que você morreu?E deixou esse bando de palavras que dizem coisas e mais coisas sobre mim. Sobre o mito que plantamos em nós, na esperança de fabricarmos algo que nos aqueça no inverno e nos refresque no verão. A grande mentira, a platéia que nunca houve. Por que você morreu? E me deixou aqui te procurando nos outros, tentando me achar onde nunca estarei. Porque você morreu. E me deixou. Me deixou sozinha, sem ninguém. Porque você era minha gêmea, quer dizer minha alma, ou sei lá como se diz, um par perfeito em tua poesia. Carlos, por que morrer tão cedo? Eu continuo Fulana vagando nas tuas memórias, nos teus livros, nos meus sonhos.Drummond, por que partiu assim de mim, de longe, tão cedo? Tão sozinho. Eu iria com você, esperasse eu crescer, oras. Eu iria. Sinto que se te conhecesse jamais te abandonaria, de tão gigante que é o amor no meu peito. Eu te amaria como você amou em tuas poesias, eu te amaria imensamente, como único homem vivente nas terras dos meus devaneios, eu seria tua esposa.Mas você morreu e nem posso dar-te um tapa na cara. Porque morreste velho e sem forças, porque jamais me conhecera, nem sequer me vira. Como posso eu revidar tuas injustiças comigo?Vamos me responda, vou te arrancar do túmulo e dizer verdades para os teus ossos. Porque partiste assim, sem deixar recado?Sabe o que me resta agora, por tua culpa, me aninhar nos teus semenlhantes que não valem um bocado do que tu fora. E tenho assim sofrido inutilmente, porque o meu amor foi reduzido a mera utilidade.E saio por aí dizendo asneiras, cobrando respostas, que nunca, jamais me darão, porque não o são. Porque você só foi um, aquele que se foi.E quero gritar o nome do outro. Perdoe-me Carlos, eu te traio, como Fulana, faço justiça, eu te traio. Porque me deixaste e nada tenho eu parecido com viúvas. Porque sou jovem. Eu te traio em pensamento. Porque ninguém me quer Drummond, desde antes de nascer, ninguém me quisera, porque era você o homem da minha vida que eu nunca conheci.Não querem de mim, a carne, o corpo, a alma, nem o coração. E passo os dias arrumando briga com desconhecidos, falsos amantes. Que nada me devem, porque se nasci atrasada, cinco anos antes da sua morte, muitos anos depois a tua vinda, não posso culpá-lo por ter me atrasado para minha própria vida..: FIM :.
sábado, 6 de novembro de 2010
Mulheres ingênuas
Às vezes fico pensando, na nossa ingenuidade. Sim, nossa. Também estou na estatística, das que se iludem e sofrem à toa. Nós, as mulheres, por mais racionais, técnicas, analíticas e exatas que sejamos, ainda assim, quando algo nos toca o coração, perdemos a razão.
E vemos ali, pairando no horizonte, um mar de tristeza. Um balde de água fria a nos esperar. Sabemos que esse fogo dominante, vai se apagar, tão breve é sua chama. Não há garantias no amor.
E quando olhamos no espelho, não tem nada de realmente bom. A não ser o óbvio para os olhos. Temos certeza daquilo que não presta e somos arrastadas para o mesmo buraco, a fim de nos encontrarmos com o objeto da atração. Sabemos que de nada vale, mas ansiamos por estarmos perdidas. Aguardamos solenemente a hora do adeus. Com a certeza de que a memória jamais falhará. Sabemos que a dor ficará mais viva a cada dia que passar, mas fazer-se-á um sorriso nos lábios, e um choro nos olhos, todas às vezes, que se lembrar.
E sonhamos, dia e noite, noite e dia, com a hora que precisa chegar, senão se morre, se mata, se ira, senão não se há mais nada, senão se acaba tudo. E põe um fim. Porque temos esperado tanto essa hora. E nos sentimos engadas, sozinhas, ludibriadas, usadas, vazias. Porque a hora nunca chega. E o medo é o mesmo, o medo de que não chegue. Mesmo que se chegar, custe sofrer muito, sofrer mais. Sofrer de novo.
Nós não precisamos viver assim, na tênue linha do ter e jamais ter de volta. Vivendo de troca, crime e castigo, barganhas sujas, do famoso dá ou desce.
Porque desejamos sempre o impenetrável, o impossível, os anjos caídos. Sem termos força para salvar a nós mesmas.
Seus olhos e seus olhares
Milhares de tentações (...)
(...) Seus truques e confusões (...)
(...) Boca e cabelo (...)
(...) Seus dentes e seus sorrisos
(...) Mastigam meu corpo e juízo (...)
(...) Então são mãos e braços
Beijos e abraços
Pele, barriga e seus laços
São armadilhas e eu não sei o que faço (...)
E vemos ali, pairando no horizonte, um mar de tristeza. Um balde de água fria a nos esperar. Sabemos que esse fogo dominante, vai se apagar, tão breve é sua chama. Não há garantias no amor.
E quando olhamos no espelho, não tem nada de realmente bom. A não ser o óbvio para os olhos. Temos certeza daquilo que não presta e somos arrastadas para o mesmo buraco, a fim de nos encontrarmos com o objeto da atração. Sabemos que de nada vale, mas ansiamos por estarmos perdidas. Aguardamos solenemente a hora do adeus. Com a certeza de que a memória jamais falhará. Sabemos que a dor ficará mais viva a cada dia que passar, mas fazer-se-á um sorriso nos lábios, e um choro nos olhos, todas às vezes, que se lembrar.
E sonhamos, dia e noite, noite e dia, com a hora que precisa chegar, senão se morre, se mata, se ira, senão não se há mais nada, senão se acaba tudo. E põe um fim. Porque temos esperado tanto essa hora. E nos sentimos engadas, sozinhas, ludibriadas, usadas, vazias. Porque a hora nunca chega. E o medo é o mesmo, o medo de que não chegue. Mesmo que se chegar, custe sofrer muito, sofrer mais. Sofrer de novo.
Nós não precisamos viver assim, na tênue linha do ter e jamais ter de volta. Vivendo de troca, crime e castigo, barganhas sujas, do famoso dá ou desce.
Porque desejamos sempre o impenetrável, o impossível, os anjos caídos. Sem termos força para salvar a nós mesmas.
Seus olhos e seus olhares
Milhares de tentações (...)
(...) Seus truques e confusões (...)
(...) Boca e cabelo (...)
(...) Seus dentes e seus sorrisos
(...) Mastigam meu corpo e juízo (...)
(...) Então são mãos e braços
Beijos e abraços
Pele, barriga e seus laços
São armadilhas e eu não sei o que faço (...)
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