sexta-feira, 27 de maio de 2011

Amizade com o louco


Caramba, já me aconteceu muita coisa engraçada nessa vida. Mas amizade com doido eu não tinha feito, não. Até ontem.
Enquanto eu espero o ônibus, vem ele locasso, gritando coisas sem sentido, todo imundo, com o cabelo ensebado de dias sem tomar banho ou de dreadlock mal lavado.

Chegou. Sentou, olhou para minha cara e começou o blá blá blá. Eu nunca havia dado papo pra esse maluco, sempre dei meu jeito de escapar e fugir do maluquete.

O doido em questão é o Lu, Lu doidão, como o chamam aqui no bairro. Dizem que antes de ele ficar lelé da cuca, era bom rapaz. Mas depois da coca, a ína, ele perdeu o cérebro e o juízo. Todos da região dizem: - Como está vivo ainda um homem desse? Eu que nem imagino.

E ele é doidão há bastante tempo, uns dez anos ou mais, e escapei dessa conversa por todo esse tempo, até ontem.

Ele, o doido: - Tem um vale transporte aê, mina?
Eu, a mina: - Não, brother, nem tenho. Só o meu mesmo pra colá na escola, saca!


Explicando o meu vocábulario cabuloso: quando se está no meio de outras tribos é preciso agir semenlhante a seus membros, para que seja aceito facilmente e não sofra retaliações.

Ele, o doido: - Você estuda mina? Eu também estudei, até ser professor! Estuda o quê, mina?

Quando eu falo que ele disse algo, entenda que ele não fala claramente, ele enrola, range, sei lá que som tem as palavras que ele tenta expresssar.

Eu, a mina: (embaço o assunto) - É preciso estudar, brow. Se não já viu, né. A casa cai.
Ele, o doido: Você é de bouasss, dá hora, sossegada, só fumando o baseadinhooooooouuuuu!!!
Eu, a mina: - Não brother, se entendeu errado camarada, eu só estudo, só. Não bebo, num fumo, não faça nada dessas paradas, não!


Notem que meu vocábulario mundano, está melhorando. Consigo acrescentar mais expressões ao diálogo.

Ele, o doido: - Mas eu já fui professor de matemática. Fazia conta.
Eu, a mina: Num manjo nada de matemática, brother, só português.


Gente visualiza a cena, como uma pessoa que sabe o mínimo de língua portuguesa, consegue mutar o idioma desse jeito, estou impressionada com essa minha habilidade. Ah, vá!

Ele, o doido: Só escreve você? Dá hora. Vc é bonita!
Eu, a mina: Eu escrevo sim, obrigada.
Ele, o doido: Linda, bonita mesmo!
Eu, a mina: (já cagando do doido me agarrar)- Obrigada, obrigada mesmo!
Ele, o doido: Só o Sol pra tapar a tua beleza, de tão linda, bonita que você é.


O ônibus chegou.

Eu, a mina: Valeu aí.
Ele, o doido: Você vai voltar para conversar comigo de novo.
Eu, a mina: (tirei onda) - Volto, volto.
Ele, o doido: Legal, vou esperar. Você é legal bonita!


Depois, tive um grande remorso, talvez fui, naquele dia, a única pessoa com quem ele falou. Ou que tentou, ou fingiu dar atenção a quem não tem atenção de ninguém. Nunca.

E no mais, ele mesmo doido, disse uma coisa linda. Uma definição muito sublime da beleza que eu não tenho. Que somente o sol seria capaz de esconder. Algo tão lindo, que só poderia se comparar ao sol, o sol que eu tanto gosto de sentir. E apreciar.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Foi amor

Foi Amor.
Me ganhou de um jeito.
Quebrou todos os preconceitos,
vc tem o que mais odeio.
Me amarrou de um jeito,
que nem dá pra explicar.
Me pegou.

Foi Amor.
Conquistou até meus fios de cabelo.
Tirou todo o meu medo,
e mostrou que é possível.
Me apaixonei, sem pensar.
Arrasou tudo por dentro.
Me pegou.

Foi Amor.
Eu fiquei de brincadeira,
achei que não faria falta,
eu não estar contigo.
Me enganei, curti de brincadeira.
Me pegou.

Foi Amor.
Eu e o Rio de Janeiro.
Foi amor.
Eu e o Rio, de Janeiro a Janeiro.
Foi Amor.
E eu preciso voltar.
Foi Amor,
e eu não posso esperar.
Foi Amor,
foi direto no coração.
E nada te tira da minha cabeça.
Eu só penso em estar aí.
Rio de Janeiro.
Ah, o Rio de Janeiro.

Seus braços abertos...

domingo, 22 de maio de 2011

O Cristo que eu não fui - Rio

Eu não fui ao cristo. E me perguntam:

- Como você foi ao Rio de Janeiro e não foi ao cristo?

Eu paro, penso e respondo:

- Não sei, porquê. Mas me lembro dele estar cheio de fumaça na cabeça, quando eu olhava pra cima.

Só que aqui dentro do coração, eu dizia:

- Porque estou esperando um milagre, não desse cristo, mas do verdadeiro. Porque pretendo voltar para o Rio, o de Janeiro, muito em breve. E se Deus, o verdadeiro, quiser e permitir, vou me transferir bem pra perto do cristo, o de pedra. E quem sabe virar vizinha do cristo de pedra ou vê-lo bem da minha janela. E então visitá-lo com minhas próprias visitas, as que irão me ver se eu realmente importar e valer a pena, pela distância, pela passagem e pela paisagem.

Eu não vi a Cidade Maravilhosa de lá do alto do morro do Corcovado, para abrir os braços e tirar aquela foto lembrança, porque não quero estar sozinha na foto e esse é o meu milagre.

Só volto lá, quando o milagre acontecer. Te levo para ver o cristo, e agradecer, não o cristo de pedra, mas o verdadeiro, que faz tudo se realizar, e que está preparando o meu milagre, para estar comigo onde eu estiver.

Espera aí, oh seu cristo de pedra, espera que eu tô voltando!!!

Se Deus quiser.

Circuito Gastronômico - Rio

Preciso confessar que meu principal feito no Rio de Janeiro, não foi pegar um bronze, nem conhecer o Pão de Açúcar, foi comer. Isso mesmo, comer! Puxa, eu devia me envergonhar de tanta gordisse, mas fazer o quê, sem querer, já fazia justiça ao apelido que viria ganhar dias depois.

Voltando ao assunto do dia: comida. Mas antes, um agradecimento.

Circuito Gastronômico in Rio é um oferecimento de: Jacqueline e Renato Moreno Munhoz. Meus queridos titios, sem vocês, eu estaria alguns quilos mais magra! Obrigada!

Eu comi muito e muito bem na minha breve estada no nosso Rio de Janeiro. A estréia foi Mian Mian, muito bem comentado por sinal aqui, neste mesmo blog. Depois descobri ele, não menos importante, o Bar do Adão.


Bar do Adão. O melhor pastelzinho de camarão, você come aqui! Não é slogan, mas se fosse, além de clichê, seria ideal. O pastel de camarão do boteco é sensacional. É de encher a boca d'água, os olhos de gula e tirar a barriga da miséria.

Em poucos dias, viciei em Guarámorango do MegaMate. E só no MegaMate, você encontra o verdadeiro! Mais um slogan zuadinho. Ou não. Vai que cola!!! Risos. Você leigo, paulista e desinformado, como eu, que não conhece essa iguaria da alimentação saudável, dos marombados de plantão e das gatinhas de academia. Você que anda perdendo tempo bebendo outras coisas boas por aí (eu faço isso e com muito gosto). Fique sabendo, que Guarámorango é viciante.


Ah, o Cabidinho, aquele malandro. Fica ali, bem pertinho da Rua da Passagem. E por isso, demos uma passadinha por lá. Chopinho gelado e empadinha de carne seca. Na humilde opinião de quem vos escreve, vulcão de carne seca, juro, se eu não espeto o garfo logo, a empada explode de tanto recheio.


Essa viagem me rendeu um festival de camarão. Além do pastel, provei Talharim ao Molho Branco e Camarão, no Shopping Via Park. Risoto de Camarão ou Camarão de Risoto, no Restaurante Siri, cada garfada levava à boca uns dezoito. E não posso esquecer da outra empadinha, aquela do Shopping dos Sabores, que fica grudado no Hortifrutti, assim mesmo com dois T´s, no Bairro de Botafogo, local em que experimentei morar por 15 dias.


Opa, esqueci da MamaRosa, pizzaria em Laranjeiras. Aquele mesmo da música, da Cássia, a Eller. O Bairro das Laranjeiras que sorri, quando chego ali e entro no elevador.... Oooooo lugarzinho romântico, ar italiano cheirando a queijo e vinho. Parece ruim falando assim, queijo e vinho, no ar, misturando tudo. Mas é bom viu, vai por mim.




E comi crepe, empada(2), pão de queijo de soja, frango da KFC, que teve a franquia extinta de forma cruel aqui em Sampa, abobrinha frita e salada (não comentem isso com ninguém). Tomei suco, tomei sorvete, tomei cerveja, tomei caipirinha, tomei chuva, tomei vergonha na cara e vim embora. Que pena....

domingo, 1 de maio de 2011

Todo bonito é bravo - Rio

Você já ouviu falar que todo baixinho é marrento, todo carioca é folgado, toda brasileira é gostosa, mas que todo bonito é bravo?? Hum, não sei não.




Passei o domingo na orla do Rio de Janeiro. Caminhei pelos famosos postos das praias, do Posto 6 ao Posto 11, onde já é Leblon. Fui e voltei e lógico parei no Posto 9, o famoso de Ipanema, o mais movimentado, palco da azaração, de gente bonita, das tribos do esporte, da hegemonia popular.

Garimpei meu lugar nas areias de Ipanema. Estiquei a canga, meio zebra, meio calçadão de Copacabana. Deitei. E imaginei que o sol fosse me atacar violentamente, que o protetor não duraria 30 minutos para eu começar, literalmente, fritar. Mas fui surpreendida por um sol brando, muito meu amigo, que bronzeou meu corpo num tom dourado e no final da tarde, eu era filha de Ruprens, meu pai, moreno cobre, índio e quase carioca, se não fosse um pequeno deslocamento geográfico. Eu sou branquela de berço e aderir à cor do pecado, é a herança genética que mais gosto.

Observei o mar bravo , no qual não puder entrar, porque não sou peixinha o bastante para dar braçadas em ondas que tem 3 vezes o meu tamanho. Todo bravo desses é bonito, tão bonito de tão bravo que é, para não dizer violento, de te arrastar pro fundo, pra Antares, para conversar com a Pequena Sereia.

Bravo para se manter intacto, para preservar sua beleza, pra ninguém chegar perto. Ninguém tem coragem de enfrentar perfis violentos, assim como esse, do mar de Ipanema. Bonito demais para passar em branco, perigoso demais para cair pra dentro.