terça-feira, 6 de setembro de 2016

Para falar de política, pessoas e um saco que anda bem cheio



Nada incomoda mais que espinha dentro do ouvido. Quem já teve, sabe o que digo. Sei que o tempo não é para comparações esdruxulas, mas é assim que me sinto em relação a história contemporânea que está sendo escrita à tinta, carvão e bala de borracha.

Tem sádico pedindo a volta da ditatura, o exército na rua, a jogar no lixo a luta de uma geração, que hoje, é melhor idade e ainda traz no peito a mesma gana, agora com maturidade de enxergar exatamente onde podemos dar, dar em nada (esse é meu maior medo). Não precisa chegar nos nomes dos sobreviventes famosos, como Mário Lago ou dos assassinados, como Vladimir Herzog, sem mencionar os desaparecidos, enterrados nessa lama que se tem receio ainda em revirar, porque se o fizer vai achar. Eles estão andando nas ruas, quiçá silenciosos sobre o que viveram. São nossos pais, amigos dos nossos pais, pais dos nossos amigos, professores e desconhecidos. Quando eu conversava com o Homero e com a Sonia, na ETELG (Escola Técnico Estadual Lauro Gomes), eu sentia na voz deles o que isso significa. Se não viveu esse horror é melhor não opinar, por favor.

Tem pai de família, dita classe média, classe essa que não existe mais (pense bem) a cometer suicídio, porque não tem como sustentar os filhos. Tem pobre minando as forças e miserável que desceu tão baixo que não tem mais forma de classificar. Há de se criar novas métricas, palavras e índices para mensurar o estrago. É crise em cima de crise, a história se reescreve nos mesmos termos, quase nada mudou. E se vive do jeito que dá ou não dá.

Fora Temer, fora Cunha, fora Renan. Fim da era PT. E sobra PSDB, PMDB, PSB, PCB e mais um monte de P que cabe num grande palavrão, mas achincalhar não resolve o problema. Até quem era limpo se sujou, quem estava encardido chafurdou e não sobrou ninguém. O povo vai à rua e não tem ninguém, ninguém que valha para meter no lugar. O cerne da política está contaminado com o gene da corrupção, da roubalheira e do jeitinho para se dar bem. Admita, muitos são assim.

Na prateleira das eleições é difícil escolher. Não por falta de opção, há muitas. Há opções demais. É de ficar confuso, cansado e cheio de errar sempre, porque parece que a mira é no peixe, mas acerta o gato. Fica sempre descompassado. É como se não fosse mais possível reconhecer caráter, acreditar no outro, o escâner está velado. Ou nivelou-se por baixo.

Tem quem não queira se meter, outros não tem o que falar, ninguém quer se comprometer, outra parte prefere se alienar. E há quem acredite em tudo que passa na TV. Todo mundo procura um modo de seguir em frente, de evitar mais problemas que já tem. Não julgo esse comportamento como omisso, é uma forma de se posicionar. A quem critique, mas quem é quem para criticar alguém? Há quem cobre postura, mas quem pode cobrar o quê e de quem? É tanta falta de Deus, de fé, um descontrole instalado só não vê quem não quer. E o que a gente quer, como diz Titãs: “ a gente não quer só comida, diversão e arte. A gente não quer só comida. A gente quer saída para qualquer parte”. É isso, a gente quer saída.

Quem não fica de saco cheio no meio desse turbilhão? De saco cheio da política, da sociedade e das pessoas hipócritas, de saco cheio até mesmo da própria hipocrisia. Quem nunca? E ainda precisa lidar com os dramas individuais, os mimimi´s da vida cotidiana, as dores de cada um. O amor, o caos e o tédio. De repente fugir seja sensato. É covarde. Mas talvez seja o mais sensato, pelo menos da minha parte. Mas por vezes, falta vergonha na cara.


Ruth Manus x Yasmin Gomes

Primeiramente, um pedido: Leia-os e tire suas próprias conclusões.

A geração que encontrou o sucesso no pedido de demissão

A juventude que não pode largar tudo para viajar o mundo ou vender brigadeiro

Segundamente, comecemos. Quando os li, um bichinho me mordeu e falava: - Você não vai escrever nada? Viveu parte disso e em breve quiça viverá a outra! Então, aqui vou eu. É engraçado como confrontar a verdade faz dela nada absoluta. Dois pontos de vista reais, verdadeiros e antagônicos.

Gostei tanto do texto da Ruth, que o compartilhei numa rede social dizendo: Excelente texto. Acrescento aqui: quero ser a pessoa de rosto corado, escolhas felizes e cheia de Cristo no coração e na vida! Isso é sucesso." #qualidadedevida #pazinterior #Deusprimeiro #thanksJesus - Assim, cheio das hashtags e com o meu pitaco, acrescentando a fé, que faz diferença tanto ao sonho, quanto a enfrentar a realidade dos nossos dias.

E por que uma pessoa que viveu a realidade do texto da Gomes, amou o texto da Ruth? Porque ele alimenta sonhos, embora retrate uma pequena porcentagem dos jovens brasileiros e de muitos outros países nesse mundão de meu Deus. A realidade descrita pela Manus, não é para todos, nem todo mundo pode dizer adeus e pronto está feito. Mas mostra que o modelo de sucesso é individual e cada um precisa identificar e buscar o seu, fazendo qualquer coisa que queira, seja careta (leia-se carreira convencional) ou não. O foco precisa ser a felicidade, não o dinheiro, mas que ele importa... Ah, importa.

O texto da Gomes é igualmente excelente, por este motivo também compartilhei. Então, você vai dizer: - Ué, ou você é lá ou cá? Com as duas não dá ficar? E digo que dá.  A própria Gomes reconhece o ponto alto do texto de Manus, que é justamente a quebra do modelo de sucesso na carreira executiva, mas suas palavras apontam para a maioria que ficou de fora, que poderia se sentir frustrada e sentiu-se ao ler o texto publicado na Seção Vida & Estilo do Estadão. A Yasmin expõe a verdade do nosso tempo, onde as chances são mínimas, porque a massa não se encaixa no texto de Manus, somos todos Gomes. E esse compartilhei, assim:

Esse é tão ou mais verdadeiro que o outro. Uns vivem os sonhos, outros apenas sonham. Realidades brutais que coexistem. Reconheço na pele algumas das situações relatadas. Cada um sabe de si a verdade. Não é tão simples, nem fácil. Principalmente, num país como o nosso, onde a novidade agora é destroçar a CLT. Destaco 2 pontos altos: "se a gente não aceita condições deploráveis, alguém vai aceitar. Alguém bom e qualificado, aliás." e "Você não é uma porcaria, um acomodado. Fica calmo, tá tudo certo". Há de ter esperança, é preciso viver. Então, fé em Cristo e mete o pé!

Quem me conhece e participou da minha vida sabe que eu vivi o paragrafo nº 05 do texto da Gomes, tanto que estou fora da minha área desde sempre, tenho paixão por comunicação (publicidade e propaganda) precisamente redação. E eu nadei e morri na praia, mas não desisti. Acredito que um dia o enredo engrena e me transformo em redatora de fato e me mando para o exterior, como redatora ou lavadora de pratos, não importa como será isso. (risos)

E quem me vê agora indo a Europa (de férias), saiba que o dinheiro para isso não veio de uma carreira de sucesso, nem do bolso do papai, faz muito tempo que parte das contas da casa pingam na minha conta também, foi com muita economia, muita marmita e um trabalho convencional (atualmente estou bancária, sem função gratificada, nem gerência, pode chorar comigo quem se compadecer). Não é o que amo fazer, mas o que tenho para já, paga as contas e compra a mistura (risos). Eu o encaro todos os dias e agradeço a Deus a oportunidade. Porque muitos não tem a mesma chance, e nem mesmo a marmita para economizar.

Sonhe junto da Manus e se encoraje com a Gomes, mesmo que a sua realidade não te favoreça, e nesse momento não haja meio de guardar um real. Não leve tudo a ferro e fogo. Crie caminhos mentais e depois os transforme em reais. Você pode ser surpreendido a qualquer tempo. Eu mesmo nunca me imaginei à beira do Tejo, em Portugal, e dado dia acabei andando por lá. Quem sabe o que a vida e Deus nos reservam, acredite. Talvez o que digo não seja coisa que se aproveite. Mas tem horas que a gente precisa falar.