O sol bate nos meus cabelos pela manhã, e a verdadeira cor deles é loiro amêndoa, ou será loiro avelã? Enfim, eles se iluminam e ficam bonitos. Andei reparando na minha deterioração, não tenho mais aquela fôrminha dos 15 anos. Cada dia encontro novos cabelos brancos, engordo e emagreço a toda hora feito uma mola. Minha barriga não diminui mais que agora, chegou ao limite da sua redução. Minhas pernas logo ficarão como o Mapa de Rios do Brasil, o leito do São Francisco já apareceu na batata* da minha perna esquerda. Aliás, tenho que comer menos batata.
A situação das minhas pernas não é tão alarmante (é sim, estou querendo amenizar) tenho me tratado com remédios naturais e acompanhamento de uma ótima cirurgia vascular. Tenho caminhado, ás vezes. Faço aulas de dança para limpar a mente e tonificar o corpo. Estou bebendo mais água que em toda a minha vida. Tenho eliminado gordura. Mas o que está feito, está feito. Os vasos que estouraram não vão desaparecer por mágica. Terei de passar pelo processo chamado, esclerose dos vasos (classe médica, me desculpem se estiver falando uma besteira. Dra. Daniela, desculpa aê!), tipo secá-los. Quando eu arrumar grana para fazer isso, eu estarei esclerosada.
Estou tentando, na medida do possível, arrumar mais tempo e mais dinheiro. Quanto mais tento, menos tenho tempo e dinheiro. Trabalho de segunda à sexta-feira, das 08:12 às 18:00, precisamente. Tenho extras eventuais. Chego em casa, por volta das 19:30. Me alimento mau, até cozinhar os legumes a fome foi embora. Então, solta aí dois hambúrgueres com queijo, arroz e feijão. Obrigada.
Antigamente, eu trabalhava por regime de escala, folgava aleatoriamente, não tinha final de semana, nem feriado. A jornada de trabalho era de 6 horas diárias. Eu fazia faculdade, fazia o serviço doméstico da casa, ia ao banco, conseguia ver meus amigos, passar tempo com meus cachorros, fazer compras, ir ao mercado, ao clube, ao shopping, ao parque e mais um milhão de coisas. Agora eu tenho o sábado inteiro e não consigo fazer nada dele. Nem do domingo, nem dos feriados.
Tenho que arrumar meu carro, dirigir de verdade, comprar uma sapateira, organizar minha casa. E minha vida. Graças a Deus, tenho dividido as tarefas com a minha mãe e minha irmã, senão era perda total para mim. Estou tão cansada que o dia some e nem percebi. Deve ser assim para todas as pessoas. O que me deixa contente, é que AGORA tenho disposição para sair de casa, e encontrar meus amigos, mesmo que passe três ou quatro dias, sem dormir direito depois. Mas fazer o quê, um bom motivo.
Ah, e ainda tem o ritual dos cães, que particularmente me deixa muito feliz. Ração, remédio, pomada, vermífugo, tudo catalogado e mensurado. Sei exata e perfeitamente, quantos comprimidos comprarei durante o ano. Ração duas vezes ao dia, de manhã e de noite, minha obrigação, tenho que agradecer a minha mãe, que tem feito isso de manhã, porque estou acordando atrasada sempre, e nem tenho tempo de tomar banho e café direito. E a minha tia, que coloca a ração à noite, porque estou chegando tarde esses dias e meus cães não podem me esperar, afinal quem tem fome, tem pressa. Lavar as tigelas de água, lavar o quintal, juntar os dejetos, fazer carinho, passear, brincar, banho 2 vezes ao mês, escovar os pêlos até a mão cair e todos os nós também. E o que eu ganho com isso? Nada. Só o maior e mais sincero amor.
Porque, quando eu ficar velha e não puder mais me ajoelhar e rolar no chão, isso não terá a menor importância, eles vão continuar ao meu lado me fazendo companhia. Quando os meus cabelos estiverem esbranquiçados de vez, nem vão notar, enxergam em preto e branco mesmo. E quando minhas pernas estiverem com o Mapa dos Rios do Mundo todo, eles não vão ter vergonha de passear comigo, se seu estiver usando shorts. Se eu tiver menos grana que hoje, eles não me julgarão por me vestir mal e com roupas velhas, quando tivermos uma única TV, um só cobertor e mesmo que todas as coisas acabem e tenhamos que dividir um único pão, eles continuarão comigo, lambendo meu rosto, como se eu fosse ainda a mesma menina que os tirou da rua. Sem julgamentos, sem acusações.
Mas como eu não sou de me entregar, se eu não conseguir por algum motivo melhorar minha vida, em termos financeiros e profissionais, pretendo que ela continue assim desse jeitinho, quero carregar meus amigos homens e cães para onde eu for. Espalhar sorrisos e amizade a todos que eu encontrar, continuar a amar intensamente, e sendo feliz para sempre enquanto durar. Porque felicidade independe de tudo que está em volta, felicidade vem de dentro. E enquanto o amor do altar não vem, aproveito os caminhos alternativos. E vou lutando e lutando, o cabelo branqueando, a careca aparecendo, os joelhos enfraquecidos, mas continuo lutando, porque sei, todos envelhecem e poucos vão lembrar, com o rosto que tenho agora, de mim.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
...
Uma foto sua, congela a espinha. Me lembro de um olhar só, e esse apenas, me rouba a vida. Olhe dentro do seu coração e você verá amor, amor, amor. Você não está morto, não está. Dentro de mim. Sim. Você sobrevive, em meio a tantas pedras e tantas flores. Doce. Você está. Você está sempre, mesmo que eu pense que não. Mesmo que você, sinta que não. Você está. Sim. Aqui colado em mim. No pensamento, nos breves momentos, nas poucas e muito longas horas em que escrevemos tanto. E tão breve e sempre e mais que poderia, intenso. Uma última visão sua, e estou feliz para sempre desde então. Tão mais viva que antes, eu não era mais. Uma felicidade adulta, residente nas lembranças, uma felicidade neutra, dócil. Uma felicidade grata, um agradecer por tudo, e ver como são boas, todas as coisas que se pode ter, ou não. Um reconhecer, que é bom estar onde estou, ser quem sou, o que faço e quem pretendo me tornar mais tarde. Encontrar você, foi uma verdade irrefutável. Como posso ser mais feliz agora? Sem nada ter, sem nada esperar. Sem nada especial. Sem nada, uma alma clara e limpa, esperando o que já sabe que tem. Você.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Domingo, eu te procurei.
Domingo foi seu dia, domingo eu te procurei. Te liguei várias vezes, mas não consegui encontrá-lo. Domingo eu quis vê-lo, para dizer obrigada. Eu tinha planejado uma aventura, passar o fim de tarde no clube, nós e nossos cães.
Eu quero agradecer, não sei exatamente pelo quê, mas algo me diz que você merece.
Você não é modelo, nem é perfeito, não penso nisso, só sinto saudades, de você mais perto da sua ajuda nas questões masculinas, que só os pais podem ajudar. Não que eu não posso resolver, mas queria que ficasse mais tempo por aqui. Você é um pouco louco, com esse jeito de quem não cresce nunca. Mas é amável, tem um grande coração.
Queria que você direcionasse seus pensamentos para algo maior, mas você saberá quando tiver que fazê-lo. Quero sua amizade. Pai, obrigada por ser quem é e ...parabéns. Te amo!
Eu quero agradecer, não sei exatamente pelo quê, mas algo me diz que você merece.
Você não é modelo, nem é perfeito, não penso nisso, só sinto saudades, de você mais perto da sua ajuda nas questões masculinas, que só os pais podem ajudar. Não que eu não posso resolver, mas queria que ficasse mais tempo por aqui. Você é um pouco louco, com esse jeito de quem não cresce nunca. Mas é amável, tem um grande coração.
Queria que você direcionasse seus pensamentos para algo maior, mas você saberá quando tiver que fazê-lo. Quero sua amizade. Pai, obrigada por ser quem é e ...parabéns. Te amo!
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