domingo, 10 de junho de 2012

Guarujá






Faz tempo, não faço poemas,
e pensando em poesia
ouvindo Dave Matthews Band,
lembrei de você.

E todo mistério que você é.
E toda a loucura que você é.
E toda coisa que você tem.
E a coisa toda.

Que não dá pra esquecer.
Que não dá pra lembrar
sem tremer.

Que não dá pra viver sem.
Porque não há ninguém
pra dar o que você sabe dar.

Calor.

Onde está o fogo confortável
para nossa noite fria de junho?
Quero de novo os dias quentes de verão,
suas mãos.

É mesmo imprevisível a vida,
as horas que passam, as palavras perdidas.
A gente não sabe o que quer,
o que faz por querer.

Eu só penso em você,
não posso chamar de saudade.
Acho que é vontade.

Eu só penso em você
e na primeira vez que vi seus olhos.
Sorrisos e telefones trocados.

Tensão.

- Alô.
- Oi.
- Tudo bem?
- Muito prazer.
- Acabou.

E se foi meio ano de sonho direto do Guarujá.













sábado, 9 de junho de 2012

Papo de Dentista

É engraçado, as conversas nascem do nada, naturalmente, como falar por não ter o quê dizer. São as conversas aleatórias e ricas, os chamados papos de boteco. E mais incrível é que, desses papos, ouço coisas interessantíssimas colocadas na pauta do dia para eu pensar por semanas.

Vocês não conhecessem o Dr. João, não é?! Ele é o meu dentista a mais de 5 anos, excelente profissional, e pessoa, dessas que vale a pena conhecer, gente que pensa, como diria o Marcelinho, um amigo meu. E numa dessas consultas de rotina, o papo da vez foi sobre cultura (que fique claro, o Dr. João não conversa enquanto seus pacientes estão com a boca aberta babando, como disse, ele é um excelente profissional, só fala conosco quando podemos responder, é um democrático). Esse papo de dentista aconteceu na semana do Tributo Legião Urbana. Grande banda! Com todo aquele burburinho rolando, comentei com o Dr. João, que eu precisava assistir o show e saber como foi, tirar minhas conclusões, pois os comentários estavam fervilhando nas redes. 

As pessoas (muitas delas, não todas) têm acesso à cultura, de jornal a concerto no Municipal, mas não entendem, não extraem nada da experiência que têm, nem sabem porque estão lá. Não pensam! - foi isso que disse ao Dr. João. E ele me devolveu uma das frases mais bacanas que ouvi nos últimos meses - A ignorância é um paraíso.

Como é se manter impassível? É impossível, ao menos, para mim. As pessoas tem preguiça de pensar, isso me tira o sono.  Porque cultura é vivenciar, absorver conhecimento e transformá-lo em uma nova cultura, a sua cultura. Todos podem criar, não é mérito de gente sabida, distante. É mérito de quem pensa, exerce esta atividade quase inconsciente para o homem, é um paradoxo.

Ser ignorante, não é não saber, é não querer saber. Ser ignorante, pode ajudar a evitar conflitos e discussões, dá  certa tranquilidade. Então, eu aceito quem finge a ignorância, não quem é. Porque se manter na ignorância das coisas, além de fossilizante, é triste. A vida passa num completo e confortável vazio. Realmente, a ignorância é um paraíso, o Dr. João está certo, jamais pensei em discordar dele, porém me recusei a calar, veja este texto, só existe porque não consigo frear meu cérebro, ele não pará nunca. 

É pessoal, a coisa é séria, quem não pensa, não se move. Não muda, nem realiza nada. Não constrói, nem produz o novo, só aceita. Simplesmente, descansa. E pensar que isso tudo veio dar na minha cabeça, enquanto eu descansava na cadeira do dentista com a boca escancarada cheia de dentes (1), graças a Deus e ao Dr. João, é claro.



(1) Verso da música Ouro de Tolo - Raul Seixas.