quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A Arte do Encontro

Passou rápido nos quatro cantos do mundo. Aconteceu um pouco de tudo com todos, dos conhecidos aos estrangeiros. Foi o melhor ano de todos? Não sei. Todo ano, no final, acaba sendo bom, porque passou. Esse começou tão bem e está acabando tão melhor, porém continua sem fazer nenhum sentido. Foi um ano de grandes mudanças atrapalhadas, cheias de vida. Em um balanço impreciso, 99,9% do ocorrido me trouxe satisfação total só pelas pessoas. Pessoas incríveis. As mais incríveis que eu nunca poderia imaginar. Às vezes, é assim que acontece, você deixa de acreditar e quando está quase perdendo a fé nos homens, aparecem os incríveis e te fazem voltar atrás.

Como disse, Vinícius - a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida. - eu tive um encontro, e nele, quando percebi estava rendida. Olhei nos olhos e pensei, como quem diz direta e instintivamente - você já conseguiu tudo o que quer, só precisa continuar o que acabou de começar! - mas ele resolveu parar. Eu também me apaixonei por uma voz, uma voz que me acalma como nenhuma nunca conseguiu, a voz que tira toda a tensão. Mas essa voz tem um corpo, que conheci mais tarde (e adorei) e infelizmente esse corpo já tem dona! A vida funciona alheia a nossa vontade.

E é bem nesse ponto que sou controversa. Sempre me recusei ser escolhida, eu quero escolher. Não me conformo com a máxima de que os homens escolhem e as mulheres são conquistadas, ficam ali sentadas esperando para serem pescadas. Não, comigo, não! Ou a gente se escolhe (se identifica) juntos, ou ninguém escolhe ninguém. Temos esse direito! Não me agradar esperar que venham até mim. Me agrada ir de encontro ao que me interessa, porque sei o que quero, o que me motiva, me agrada ir de encontro a vida e a gente sabe onde a vida está, só precisa saber chamar a atenção dela, de um jeitinho especial, aquele jeitinho que a gente tem e sabe que tem, é quando o encontro acontece. Me apavora que eu seja escolhida pelo que me enjoa e por fatalidade e receio, eu tenha que aceitar ser entregue a avalanche de coisa chata que se seguirá à aceitação do óbvio. É como diz, meu amigo Will Reis- dizem que os opostos se atraem, mas não se completam - logo, que não seja totalmente igual, nem diferente, mas seja semelhante. Que complete, mas não suprima, que preencha, mas não transborde, nem falte. E nesse encontro, como que estabelecido por uma genética ainda desconhecida, os semelhantes se atraem e se reconhecem. É fatal, todos podem sentir.

Está aí, uma coisa que eu fiz demais, em 2012. Sentir. Como eu senti. Senti um pouco de tudo. Senti, senti, senti... sensações que jamais havia experimentado, perdi o fôlego muitas vezes, tive a mesma sensação inúmeras vezes, algumas delas senti uma única e inesquecível vez. Não tive tempo de aprendê-las para repetir. Nem tempo de esquecê-las para abandoná-las de vez. Eu quero surfar de novo. Eu quero estar no mar, em breve. Eu quero respirar a maresia com vontade mais e mais. Eu quero tudo de novo, eu quero mais vezes, por vezes, e quero coisas diferentes, iguais, mas diferentes. Eu sou confusa, mesmo. Maluca, mesmo. Eu amo a paixão pela paixão, descompromissada, amante e cheia de energia, que só os jovens podem dar, podem fazer, podem ser. Eles transpiram vivacidade e é disso que a gente se alimenta, de sagacidade. Meu peito pula, só de lembrar.

O verão está quase chegando, meu mês favorito (dezembro) também. É chegada a hora do sol transformar os meus cabelos, toda vez que o sol chega, meu cabelo muda de cor, fica mareado, aloirado, caramelo desbotado, rebelde, queimado de praia, com gosto de sal e cor de sol. Me sinto conectada com a natureza por essa metamorfose esquisita dos meus cabelos encontrando com o sol. É como fazer arte. E os artistas vivem para se encontrar e transformar o mundo com seus olhares invertidos e inusitados, a arte inteliga as pessoas, suas almas e seus mundos, através do tempo e nunca envelhece, é sempre jovem, não importa quanto tempo passe de uma obra, de uma música, ela será sempre estonteante, arrasadora e sobreviverá à eras e emocionará alguém a diante. A arte faz com que as almas e as pessoas se encontrem, sem nem ao menos se conhecerem. A arte é chocante. Se pensar muito é provável que a gente enlouqueça, mas a graça é enlouquecer pela loucura, nunca pela rotina. Não é preciso cultivar a irresponsabilidade, é necessário guardar os valores, os princípios, as verdades e se desfazer das pequenezas, se despir, abrir os braços e deixar a onda vir, pois a vida é louca, acredite, tão louca como te ver e querer te almoçar! Mundo canibal! Brincadeira!

E nessa desfaçatez, de um dia após o outro, a gente se esbarra, se encontra, desencontra e vai tocando. Sem perder aquilo que nunca teve. Ganhando bônus, juntando as peças, fazendo arte, recriando a própria história e se surpreendendo como ninguém com os encantos e encontros que a vida dá.





sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Cansaço

Cansada, estou realmente cansada. Cansada de gente que teima em invadir meu espaço, minha vida, meu tempo. Estou cansada de tanta mentira, falsidade e dissimulação. Estou farta das mesmas mensagens, mesmas histórias e dos mesmos sinais. Estou cansada de perder tempo com aquilo que não tem mais tempo para ser. Cansada dos mesmos enganos, desfechos e desastres. Ando cansada de encarar certas viagens que não dão em lugar algum. Cansada de promessas, falatórios e afins. Cansada de covardia, de medo, de vaidade, provocação barata. Cansada das artimanhas, das fraudes, do óbvio. Cansada de certas atitudes, trapaças e lamúrias daqueles que vivem de repeteco. Cansada de covardia. Cansada de temores infundados, cansada simplesmente, cansada. Mas o cansaço há de se curar com uma boa noite de sono, porém o conformismo, esse não se cura nunca. Eu me recuso a abandonar um dos meus princípios mais bonitos, que sempre foi acreditar. Embora haja uma massa de pessoas empenhadas em entrar na minha vida com o único e exclusivo objetivo de me fazer duvidar e tomada pela dúvida, finalmente, desistir. Mas eu não desisto, saiba você que eu não desisto. Eu caio, mas não desabo. Eu escorrego, mas driblo. Eu tombo, mas levanto. As quedas fazem parte das regras de um jogo, onde se joga limpo. Esse é o preço. Mas que estou cansada, eu estou. Cansada de olhar nos olhos de gente que descaradamente desvirtua pessoas e argumentos. Que advoga em favor de uma causa frívola, que vive de tramitar informações maldosas, que são autores de ações imbecis e que no final se tornarão réus de si mesmo. Gente pobre. Gente sem conta dos valores primordiais. Gente suja. Débil. Cansada ao extremo, cansada no limite, cheia de vergonha alheia e vergonha própria da minha burrice, para não chamar de insanidade, quando permito que segundos de um valioso tempo da minha estada se desperdice pensando nessas sandices que ora sim, ora não eu tenho que encarar. Eu devia deixar de lado e abandonar esse barco cheio d'água rasa que está afundando sob meus pés. A vida é mesmo assim, cheia dos seus causos insolúveis. A consciência é o tribunal mais justo que se tem conhecimento, e ainda assim tem gente que se recusa a dar ouvidos a ela, a única autorizada a nos julgar enquanto estamos vivos. A consciência, o peso da verdade, a justa maneira que encontramos de encarar os fatos é somente através dela, e o que nos mata pouco a pouco é a necessidade que temos de saber. Mas há nessa vida cousas todas e tantas que nunca se saberão. Mas eu não desisto, eu acredito e busco, porque se me desvencilho da busca, me perco e me perdendo, morro, e morrendo assim, deixo um legado medíocre e a mediocridade ninguém merece.