Há histórias nessa vida que vão começar e nunca terminarão. Elas acontecem para não ter desfecho. Elas param de acontecer, mas não tem fim. É como aquele filme que deveria deixar uma lição e para na metade, não acaba. E dizemos:
- Ai que ódio, filme idiota!
Coisas desse tipo causam frustração, mas não deveriam. A gente cresce sabendo e sentindo, que existem coisas as quais não podemos controlar, logo: START, STOP e STAND BY fazem parte da coisa toda. A vida é um pouco idiota.
Costumamos pausar essas histórias exatamente como elas começaram, sem nenhuma palavra. É fato, histórias que não tem final, geralmente começam sem palavras e são paradas do nada, como as antigas fitas cassete que embolavam no cabeçote, fazendo um chiado esquisito, tipo: grishhhhh. Parou! E dizíamos:
- Ai que ódio, fita idiota!
A história que não termina, não termina porque enrosca de forma idiota como a fita, daí você a arranca do cabeçote, joga num canto. E por ter certeza que está enrolada o suficiente para nunca mais voltar, você esquece. Mas acorda todo dia com o coração amassado de saudade, com loucuras na cabeça, pensando em fazer coisas fora da realidade e do alcance das mãos (mãos lindas, que você disse um dia, que eu tenho) para tentar desenrolar a fita e por um ponto final na história. Mas esse ponto não é da nossa conta.
Não há muito o que fazermos. Todo o trabalho é do tempo, o artista que apaga as más obras que rabiscamos desajeitados, que traz de volta os tinteiros quebrados e os papéis borrados de lágrimas por tantos erros. Traz de volta as fitas embaraçadas e emboloradas, que na verdade guardamos no quartinho da bagunça numa caixa de papelão, porque nunca estivemos preparados para abandoná-las para sempre.
E quando o tempo abrir a caixa e começar a pontuar tudo que não acabou, quase todas as fitas irão parar no lixo de verdade. E eu desejo sinceramente que todos nós consigamos eliminar grande parte dessas histórias para que as novas possam entrar.
O tempo abriu minha caixa, não faz muitos meses, finalizou todas as histórias inacabadas e me tirou um sério peso das costas. Fiquei feliz, confesso! Mas artista, como só ele pode ser, o tempo acaba de me dar uma nova fita, melhor que isto, um DVD inteiro com 4 gigabytes de lindas babaquices para eu colocar na caixa, sem nenhuma palavra, sem nenhum pesadelo, sem lágrimas, sem dó. Eu disse:
- Ai que ódio! Vida idiota!
Valeu a pena no final !
September by DaughtryP.s: Tudo que não verbaliza seu final, retorna cedo ou tarde para um acerto de contas. Isso não significa nada de ruim, não é sinônimo de dor, mas de continuidade. Coisas novas nascem quando as antigas realmente morrem. Podem passar alguns anos, mas elas retornam, seja para morrer ou renascer de uma vez por todas.
Imagem: apuracao.wordpress.com
