domingo, 1 de maio de 2011

Todo bonito é bravo - Rio

Você já ouviu falar que todo baixinho é marrento, todo carioca é folgado, toda brasileira é gostosa, mas que todo bonito é bravo?? Hum, não sei não.




Passei o domingo na orla do Rio de Janeiro. Caminhei pelos famosos postos das praias, do Posto 6 ao Posto 11, onde já é Leblon. Fui e voltei e lógico parei no Posto 9, o famoso de Ipanema, o mais movimentado, palco da azaração, de gente bonita, das tribos do esporte, da hegemonia popular.

Garimpei meu lugar nas areias de Ipanema. Estiquei a canga, meio zebra, meio calçadão de Copacabana. Deitei. E imaginei que o sol fosse me atacar violentamente, que o protetor não duraria 30 minutos para eu começar, literalmente, fritar. Mas fui surpreendida por um sol brando, muito meu amigo, que bronzeou meu corpo num tom dourado e no final da tarde, eu era filha de Ruprens, meu pai, moreno cobre, índio e quase carioca, se não fosse um pequeno deslocamento geográfico. Eu sou branquela de berço e aderir à cor do pecado, é a herança genética que mais gosto.

Observei o mar bravo , no qual não puder entrar, porque não sou peixinha o bastante para dar braçadas em ondas que tem 3 vezes o meu tamanho. Todo bravo desses é bonito, tão bonito de tão bravo que é, para não dizer violento, de te arrastar pro fundo, pra Antares, para conversar com a Pequena Sereia.

Bravo para se manter intacto, para preservar sua beleza, pra ninguém chegar perto. Ninguém tem coragem de enfrentar perfis violentos, assim como esse, do mar de Ipanema. Bonito demais para passar em branco, perigoso demais para cair pra dentro.


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