Às vezes fico pensando, na nossa ingenuidade. Sim, nossa. Também estou na estatística, das que se iludem e sofrem à toa. Nós, as mulheres, por mais racionais, técnicas, analíticas e exatas que sejamos, ainda assim, quando algo nos toca o coração, perdemos a razão.
E vemos ali, pairando no horizonte, um mar de tristeza. Um balde de água fria a nos esperar. Sabemos que esse fogo dominante, vai se apagar, tão breve é sua chama. Não há garantias no amor.
E quando olhamos no espelho, não tem nada de realmente bom. A não ser o óbvio para os olhos. Temos certeza daquilo que não presta e somos arrastadas para o mesmo buraco, a fim de nos encontrarmos com o objeto da atração. Sabemos que de nada vale, mas ansiamos por estarmos perdidas. Aguardamos solenemente a hora do adeus. Com a certeza de que a memória jamais falhará. Sabemos que a dor ficará mais viva a cada dia que passar, mas fazer-se-á um sorriso nos lábios, e um choro nos olhos, todas às vezes, que se lembrar.
E sonhamos, dia e noite, noite e dia, com a hora que precisa chegar, senão se morre, se mata, se ira, senão não se há mais nada, senão se acaba tudo. E põe um fim. Porque temos esperado tanto essa hora. E nos sentimos engadas, sozinhas, ludibriadas, usadas, vazias. Porque a hora nunca chega. E o medo é o mesmo, o medo de que não chegue. Mesmo que se chegar, custe sofrer muito, sofrer mais. Sofrer de novo.
Nós não precisamos viver assim, na tênue linha do ter e jamais ter de volta. Vivendo de troca, crime e castigo, barganhas sujas, do famoso dá ou desce.
Porque desejamos sempre o impenetrável, o impossível, os anjos caídos. Sem termos força para salvar a nós mesmas.
Seus olhos e seus olhares
Milhares de tentações (...)
(...) Seus truques e confusões (...)
(...) Boca e cabelo (...)
(...) Seus dentes e seus sorrisos
(...) Mastigam meu corpo e juízo (...)
(...) Então são mãos e braços
Beijos e abraços
Pele, barriga e seus laços
São armadilhas e eu não sei o que faço (...)
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