sexta-feira, 29 de outubro de 2010

...

Por hora, já não é possível compreender a sobrevida em que pairam todas as coisas que se sente. De qualquer maneira, se deixa boiando os pequenos espasmos que o choro provoca nos homens. Tão simplória é a existência, que de nada adianta se desgastar.

Controlar a vida alheia é um esporte, praticamente oriundo de suas próprias necessidades. Tagarelar da vida, outrora, já não somente é exercida a fofoca, bem como a inveja da felicidade alheia.

A juventude é invejada, o frescor dos que ainda não carregam filhos, nem demandam tantas responsabilidades. A juventude daqueles que se aquiescem de poucos quilos, poucas medidas, e se acomodam fácilmente nas brechas vindouras de precisões em comum.

O são, sim, fanfarrões. O descomprometimento é atraente para aqueles que não o tem. Sabe-se lá, se o dão de graça, assim para qualquer um. Não, não. Assim, eles não se dão. Só se apertam entre esparrelas de humor, cotidianas, de uma pontada aqui outra ali, não se dão tão pouco a qualquer um, esses jovens já nem tanto, aguardam simpaticamente a hora certa do embuste.

Essa tal felicidade, enfeitiçada das coisas simples, ora faz verter de riso, ora faz chorar, em prantos. E de tanta felicidade que ainda nem se quer, nem se faz alcançar, já lhe foi tomada à força, pela inveja que nela recai.

E se pune em vão os sorrisos, que eram soltos, agora são calados,
e assim se separam amigos, que não se sabia, se eram. Cortado fora um laço que ainda era aberto, e não mais será atado.

E sobra um pouco de virtude, em tudo aquilo que se perde, de ficar à mercê do tempo, ficam vagas essas horas. E a voz é só lembrança, do que era e nunca fora, antes tão esperado. E o que é, nunca, mas nunquinha mesmo, será de outro, senão daquele de quem é. E é mesmo.

Certas horas, os devaneios são tão vivos e as vontades são tão abstratas às próprias, que se confundem, a realidade e a loucura passada à limpo. Se tem ainda o gosto daquilo que jamais tocara antes. E tocam nas mãos, a pele que nunca sentira tão perto daquele opróbrio, metido num ninho de cobras.

E são selados os poucos casos de rara beleza, imprópria para alguns de que se tem notícia, não seriam dignos desse grande feito, esses tão falidos. Indignos e selvagens. Não são assim tão ferozes, os jovens, são eles sinônimo de uma leveza saudável, de poucas marcas vividas, de algumas cicatrizes profundas, de uma esperança infinita e uma vontade desgraçada, que os mata sendo feita a justiça, pela boca da própria vontade de antes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário