A nossa mente pode nos levar a lugares que não queremos ir. De fato, tenho um coração agradecido, considero a gratidão, um dos mais nobres sentimentos, pois está livre do egoísmo. Mas, continuando a pensar na vida e no futuro próximo, embora grata por tudo e mais um pouco, tenho questionado determinados pensamentos meus.
Estes tem me levado a lugares não muito agradáveis, lugares onde não quero estar, mas que acredito serem inevitáveis.
Como cristã, tenho o dever de anunciar que nunca, jamais estou sozinha, e creio nisto com todas as minhas forças, não só pela fé, mas pelos acontecimentos, Deus não precisa me provar nada, porém de maneira muito concreta tem movido as coisas para me socorrer em muitas áreas da vida. Sei que o Espírito Santo está comigo e sobre mim, como um guardião fiel e como Rei que é, sou grata por se importar comigo. Mas minha consciência tem me levado a uma arena de solidão, e lá tem sido triste.
Sei que quando deixar esta vida, espero em Deus, que para os céus, terei descanso, debaixo da glória do Senhor não haverá necessidade de cia, nem falta de ninguém, seremos todos irmãos em Cristo glorificados, diferente daqui onde Deus fez o homem e a mulher para caminharem juntos.
É agora que minha consciência me acusa de ser sozinha por minha culpa e me descortina um futuro seco, cheio de divertimento, alegria e felicidade solitários, pois muito provavelmente os filhos não virão, e ao envelhecer minhas próprias pernas terão de me carregar onde quer que eu precise ir. Até a velhice chegar, terei muitas fotos de viagens, lugares, onde haverá apenas uma pessoa no cenário, nos restaurantes que freqüento, há somente um lugar à mesa, quando cozinhar a porção será para uma pessoa, o lugar ao meu lado no cinema continuará vazio, de noite quando sinto frio, no futuro será exatamente igual, eu e a cama gelada, quando quero dar um beijo e um abraço de amor, não tem ninguém e não terá, quando eu preciso me sentir protegida e cuidada continuará sem ninguém lá para eu segurar a mão, se levar em consideração que nem meu próprio pai ficou, porque outro homem ficaria. A solidão é algo doloroso, porque precisa ser vivida só, este é seu nome, não há solidão compartilhada, não se juntam solidões, e nem sei se esta palavra existe.
Tudo que sei, ou melhor, o pouco que sei vai morrer comigo. Acredito que vim ao mundo para fazer amigos, tenho poucos e bons e que constroem suas vidas, enquanto eu fico. Acredito que vim ao mundo para distribuir sorrisos, encantar crianças, mais que elas me encantam, aliás, tenho medo delas, elas podem roubar meu coração.
Todos que podiam ficar escolheram partir. Nenhuma das pessoas que me atraem estão perto de mim. As paixões foram rasas, as dores levianas, os amores não tinham como propósito o amor em si, funcionaram como um ponto de salvação, para todos que amei falei de Cristo, plantei a semente e aguardo o fruto, creio que virá.
Estou cansada, de verdade, não tenho vergonha do que sinto, não preciso parecer suficiente e independente para ninguém, cuido da minha própria vida da melhor forma possível dentro das possibilidades que tenho, e sou feliz por isso. Não tenho medo de revelar minha fraqueza, porque sei quantas bolas já matei no peito e quantos gols já fiz, mas na vida a dois, sou um completo abismo, é meu calcanhar de Aquiles, minha ferida aberta, minha cruz.
Então, minha consciência me leva pra uma casa grande e vazia, me aponta como um cachorro magro, que durante o dia brinca na rua e se diverte tanto quanto pode, e de noite dorme sozinho debaixo da marquise.
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