(Hunter, James C.; O Monge e o Executivo – Uma história sobre a essência da liderança, Rio de Janeiro: Sextante, 2004, 139 páginas;)
O título de James C. Hunter, trata da história de um empresário que passa um breve período em um monastério e se dispõe a participar de todas as atividades que lhe são propostas. Inserido nesse ambiente que prega um novo conceito de autoridade, o empresário reconhece sua insistência em viver conforme velhos hábitos, e a vence à medida que descobre a importância de distinguir poder e liderança.
Em 2009, quando li O Monge e o Executivo, não o fiz por obrigação acadêmica, mas motivada pela curiosidade em saber o que de tão diferente havia nesse livro. E minha surpresa, na época, foi o fato de eu já acreditar que a liderança deveria ser exercida como no modelo proposto por Hunter, mesmo antes de conhecer a teoria do autor.
Três anos após a primeira leitura, agora por necessidade acadêmica, li novamente um dos títulos mais famosos sobre como liderar pessoas, e a ideia continua clara para mim, embora, por vezes, durante a segunda leitura, tenha tido a sensação nítida de utopia, mesmo sendo a mensagem perfeitamente aplicável e, acima de tudo, necessária.
Hunter, quando diz que poder é forçar e coagir, descreve o comportamento nas organizações da velha escola do Capitalismo, que não se aplica às organizações modernas, onde, aqueles que delas participam não aceitam os desmandos antes suportados e exigem um líder como exemplo e não um símbolo de poder! Por essa razão, além da definição oferecida por Hunter, há que se considerar que a liderança vai além de uma habilidade: é uma conquista obtida pela própria conduta.
O verdadeiro líder não manda, pede. Mandar é a manifestação dos velhos hábitos de gestão, baseados em autoridade cega, demonstrado graficamente pela pirâmide, por vezes, inflexível, com grau de importância definido no processo produtivo, elencando valor maior ou menor a quem nela está inserido, dependendo da posição que ocupa no organograma, porém todas as posições são de igual importância e valor. A tendência é diminuir os degraus da pirâmide e porque não, a nivelar.
Esse velho paradigma da autoridade, questionado em O Monge e o Executivo, não atende às necessidades humanas elencadas por Maslow. Ele suprime a autoestima e sufoca a autorrealização. Quando começamos a servir para sermos servidos, a pirâmide se inverte, e as atenções devidas são dispensadas de acordo com prioridades, não só de mercado, mas também de garantir um ambiente saudável e humano, para a longevidade da organização. Todos precisam estar satisfeitos.
Gosto da citação de Vince Lombardi, o primeiro treinador campeão do Super Bowl, apontada no capítulo 4, “O Verbo”, dedicado à ação, à mudança de atitude: "Não tenho necessariamente que gostar dos meus jogadores e sócios, mas como líder, devo amá-los. O amor é lealdade, o amor é trabalho de equipe, o amor respeita a dignidade e a individualidade. Esta é a força de qualquer organização",Vince Lombardi.
Esta é a essência da liderança: o amor; através dele, mudar nossa atitude, e, assim, nos tornarmos, todos servidores uns dos outros por um objetivo maior que beneficie a todos.

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