A boca enche de água, os olhos também. A vida está inundada de coisas para resolver, coisas para desafogar de si mesmo. Existe tempo ainda para viver como se é, espontânea, rompante de ser, pura energia, combustão?
Acreditaria em você, se hoje não fosse eu, tão covarde. Eu queria pegar fogo de novo. E brigar com você o resto da minha vida, só para ter a chance das pazes, as tão esperadas pazes.
O arrependimento chega tarde, às vezes, o entendimento chega atrasado, quando o outro já vive uma vida morna, desemocionada, sem gosto, sem sal. E conformado se contenta, porque mais fácil é o contento com o usual, é bom ter segurança.
Não sou segura. Não dou a almejada segurança, nem à mim. Não é fácil estar comigo, e você sabe disso. E desistiu de mim. Eu mereço esse descaso, assim como mereço perdão. De que vale este, se não mais disposto está, a vir até aqui, estender a mão para mim. E me abraçar.
Como sou egoísta, tão egoísta a ponto de não desistir da minha fecilidade.Exigindo que você desista da sua, a quel você acredita ter. Você parece feliz agora, desempolgado, mas feliz, eu diria, acomodado.
Mas o que posso fazer e te provar o contrário e contar meu remorso, de que adiantaria, agora, bem quando você está a uma cidade inteira distante de mim. Uma vida inteira longe de mim. Um universo inteiro distante do que eu acho de amor.
Eu procuro um sentido nisso, uma desculpa, algo que me inocente dos meus erros, algo que permita chegar até você, com alguma razão. Não tenho nenhuma boa razão para atrapalhar seu bom momento. Tenho um rojão no peito, um saudosismo de passado, um orgulho atravessado na garganta que só me permitiu chorar. As lágrimas... Agora é minha vez de derrubá-las.
Já li em algum lugar...
"Que quando a gente descobre, que quer passar o resto da vida com alguém, a gente quer que o resto da vida comece logo"
Eu quero que comece ontem, embora eu tenho esquecido de avisá-lo que um dia eu descobriria, que ele guardasse para mim, um espaço, porque um dia eu chegaria.
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