quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Eu não vou me acostumar, nem a pau!

Eu não tenho tempo de me acostumar, eu vivo do jeito que é pra ser. Tudo muda, em inconstantes segundos de caos e glória. E eu não quero me acostumar com o que é bom, muito menos com aquilo que é ruim. Eu curto mesmo é uma transição. Um vai-e-vem, um vai-num-volta, um-vem-e-fica, estas coisas.

Se estiver doente, vivo o dobro para aproveitar, e se não estou, comemoro!
Durmo pouco, a fim de aproveitar mais a noite, a lua e o vento da madrugada! Para ler!
E quando durmo mais que devia, tenho certeza que pra sonhar com as coisas que vive, enquanto estava acordado. Se acordo atrasado, e não tomo café. A maçã que peguei na fruteira terá um sabor especial no caminho, até chegar a meu destino.

O trabalho por mais difícil, te desafia a caminhar. E ser desafiado, é um P@#$ alimento para o cérebro. Faz você desejar a vitória e aprender a se corrigir. Anseio pelo Fim de Semana, não por ter um trabalho horrível, um chefe tapado ou colegas de mesa que são um puro saco. Anseio o Fim de Semana, porque nele posso repousar de pés para o alto, posso deixar meu relógio no porta-luvas, posso até esquecer que tenho mãe, é Fim de Semana! Eu não odeio meus prazos, o tempo passa depressa, e ao respeitar horários, você dá valor pra cada minuto perdido e ganho.

Quando estou de bobeira abro a janela, olho a luz bem de perto, o sol, e agradeço! Se não tem luz no apartamento, se a vidraça emperrou, desço as escadas correndo e torço para o elevador chegar logo, pronto estou na rua. Se o ônibus está lotado, olho cada pessoa minuciosamente sentada ao meu lado ou de pé, aprendo delas um pouco, e todo dia muda este alguém. Não tenho tempo de me acostumar com a reclusão, odeio solidão, falo com todo mundo.

Tenho horror a me fechar na casinha, trancar o corpo e o coração, só para escapar das feridas. Eu quero mais é viver, sofrer até o talo, ser corajosa, ser feliz até explodir, se acabar acabou e se durar. Que maravilha!

Desejo saber quem sou, e se souber mudar rapidinho. Descobrir tudo de si é um tédio, e descobrir tudo do outro, é ainda pior. Os segredos alimentam o desejo. Não tenho a intenção de me acostumar e evito isto a todo custo.

Não tenho medo das coisas banais, das cotidianas, das coisas profundas, das superficiais, das importantes decisões, de bronca, de esculacho, de briga, de choro, de dor disso eu não tenho medo!

Eu tenho medo de me acostumar a viver, uma vida de gente chata, que odeia terra, tem medo de micróbio, tem nojo de areia, asco de gente simples, que não gosta de sol, porque gruda, não gosta de campo, porque fede a bosta de vaca. De gente que não gosta de casa térrea, porque tem quintal e de prédio, porque tem escada. De gente que não gosta de nada, que deixa de gostar do gostava, porque tem medinho, de gente que abandona a própria vida, porque se decepcionou. Uma vida de gente que se esqueceu como vive, e se acostumou a se arrastar.

Eu tive muitos momentos terríveis, ruins, horríveis, chame como quiser. Não vou mentir, já quis morrer, mas foi por um minuto, logo me arrependi. E quis, por não me acostumar, eu queria mudar radicalmente, sem nem saber se pra melhor. Mas queria tentar isso, eu não tentei. Ainda bem. Mas o impulso de mudar, nunca me faltou, eu estou sempre viajando, rindo, sonhando coisas impossíveis (ainda), um mundo utópico e bucólico, sei lá.

Eu me recuso a me acostumar. Mesmo debaixo de porrada!

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