" Escrevi isto, em 26 de novembro de 2002, são quase 10 anos atrás. Não coloquei 9 anos para não quebrar o impacto do número 10, já que são quase 10 anos mesmo.
Nada mudou para que este texto perdesse a validade, aliás, está mais atual que nunca. Divirtam-se."
Durante a vida, temos que realizar muitas jogadas. Feito um xadrez. Existe a morte, o stand by e a evolução. Um erro não é corrigido assim tão fácil. As jogadas erradas vão nos fazer perder muitas vezes. Esse xadrez maravilhoso da vida, ainda vai levar de mim muitos amigos e trazer outros.
Alguns amigos serão sugados pela fraqueza, para um mundo de sombras e de dores profundas, como agulhas perfurando uma veia. Outros deixarão minha presença por circunstâncias da vida, novos caminhos que se seguem, lados opostos, novas casas, novos vizinhos. Alguns irão se afundar em lágrimas e se esconderão do mundo. Outros casaram. Tragédias e alegrias transbordadas irão levar e trazer grandes amigos. Eternos amigos, novas famílias que serão agregadas da minha para sempre.
É preciso glorificar esse sentimento de força, que carrega as pessoas pelos anos que se passam. Não importa quantos cruzarão o tabuleiro, a sombra dessa imagem ficará. A lembrança, às vezes, é algo mórbido, mas na maioria delas, reluz com sorrisos largos. Então, cada quadrado negro do tabuleiro se transforma. Cada jogada está marcada entre o abismo e a glória. Quadros brancos e negros, quadros de alegria e de tristeza. E vamos cruzando o tabuleiro.
Por isso, enxergar através do que os olhos vêem, é fundamental para valorizar de verdade cada um nesse jogo perigosíssimo. Nem sempre suas opiniões sobre os outros estarão certas e não há nada de mal em perguntar para as próprias antes de errar sobre elas. Nem sempre o que disserem a você terá sentido. Nem sempre as expectativas serão correspondidas. Não há nada de mal em esperar, com tanto que você saiba buscar! Sem julgar, sem desacreditar, apenas confiando e admirando as diferenças.
Eu paro para pensar nas atitudes das pessoas, percebo motivos óbvios para que hajam assim. É simplesmente uma jogada necessária para garantir uma felicidade mútua. Alguém joga para forçar você jogar, senão tudo pára. E o jogo acaba.
Então nesse jogo de xadrez, que não tem diferença nenhuma do verdadeiro jogo, nós nunca saberemos o que existe na cabeça do outro, por mais que queiramos ou precisemos saber, nunca descobriremos. Como no xadrez, a calma e presteza, a paciência e a lógica e em muitas vezes, a ousadia, trarão nossas vitórias. Tudo é uma questão de percepção, começar a entender as grandes dores e alegrias como grandes jogadas da vida. Cada um de nós joga como rei e rainha, temos nossos piões a superar.
A grande descoberta é que você nunca jogará sozinho. A companhia dos amigos, as viagens, as festas, as bebedeiras, as gargalhadas e qualquer coisa mínima que seja, compartilhada, te levam para o caminho certo. O amor que impera entre as pessoas, pais, filhos, irmãos, te levam para o caminho certo. O amor próprio, o respeito e a coragem, te levam para o caminho certo. O sol das manhãs, aquela música, o ar fresco, as coisas simples e naturais te levam para o caminho certo. Não importa quantas vezes você irá errar.
Eu aprendi uma coisa nesses poucos anos de xadrez. A liberdade está em cada um de nós, basta compreender, basta querer consolidar o bem. É só querer vivenciar e libertar o amor que cada um de nós tem pela vida. Só.
Nenhum comentário:
Postar um comentário