







Hoje, amanheci doendo outra vez. Por que, depois de tanto tempo, essa dor perfurando minha boca do estômago? Minha gastrite vem dando a hora. Mas vai passar logo, eu sei. Minhas orações, medicamentos goela a baixo, e me sinto ligeiramente melhor esta manhã. Mas não consegui dormir muito, acordei logo agora, tentei engolir o café da manhã. Graça a Deus consegui, e que ele fique onde está, por favor.
Mas ao acordar e abrir a janela, me surpreendi mais uma vez, e isso acontece muitas vezes, para minha sorte, desde que me mudei do Centro do Riacho Grande, para uma área a menos de 5 minutos, de carro, do centro. Aos sete anos de idade eu vim para cá, e já vi de tudo um pouco nesse lugar. Na minha casa tem vaca, cavalo, cachorro, tucano, lagarto, preá, gambá, sabiá, bem-te-vi, beija-flor, tem flor de todo tipo, tem mato, tem chá, tem árvore crescendo há muitos e muitos anos, já teve muito mais coisas, algumas dessas aí de cima, já sumiram por conta desse progresso, um tanto quanto importante e burro, ao mesmo tempo. Tem cheiro de terra molhada quando chove, e quando está sol tem aquele céu azul de interior, que poucos podem apreciar da cidade, porque de lá do meio dos prédios é cinza. Não me importo de acharem longe o lugar onde vivo, me viro muito bem aqui, não tenho problema de ir e vir. Amo minha fazendinha particular no meio da cidade.
Quando tá neblina, parece montanha, vale ou coisa semelhante, vem aquele cheirinho de água fresca e bate um frio, tem que correr pôr a blusa, a calça e o cachicol. Eu sou muito friorenta, sinto um frio fora do normal, pele fina de menina. Acho que é isso. Minha renite ataca horrores e eu fico nervosa com isso. Esse tempo de frio e chuva que ataca minha renite. Mas chega de pensar nisso. Porque com o tempo em que moro aqui, e já são 19 anos, aprendi amar tudo isso. Até a garoa, a chuva, o frio e o vento, que me lembram dos descampados das novelas.
Não conheço muitos lugares, não viajei tanto assim. Mas sou de sorte, de um lugar lindo que Deus me reservou, de paisagens belas no meio do mundo cinza da cidade grande.
Agradeço por nascer e se criada na simplicidade das famílias grandes e cheias de tios, tias, primos e primas, avós e avôs, vizinhos... que são todos meus parentes. Uma italianada sem fim. Esse lugar onde eu moro é da família desde sempre. É meu chão. Já fui mais fresquinha quando criança, de não querer sujar muito as mãos, mas agora já passou um pouco. Lavo as mãos várias vezes, mas agora gosto de sentir meus pés sujarem na terra, e como isso tem valor.
E se não bastasse ainda tem a praia, o mar, que fica aqui bem pertinho, 30 minutos de mim. Posso ir correndo pra lá toda hora que me sinto longe das minhas forças, olhar pro céu longínquo e quase posso tocar em Deus, sentir Seu Sopro de Vida no meu corpo cansado e me regenerar. Eu sou de muita sorte.
E ainda tenho muita coisa para ver, conhecer e sentir. Ainda quero aprender a andar a cavalo, quero aprender a nadar de verdade, sem esse jeito estabanado que eu tenho. Quero conhecer o Nordeste, seu povo acolhedor, suas dunas, os mosquitos do Pantanal, os pampas gaúchos que me lembrarão de casa, as ruas de Minas, seu passado histórico, seus labirintos, a Itália, minha descendência enraizada, dá pra ver na cara de onde eu venho!!!(Risos). Quem sabe a Argentina esteja mais perto do que penso.
Minha casa, meu lar, meu mundinho! Ao sentar no telhado de casa e olhar o mundo por cima, me sinto feliz. Mesmo trancadinha em casa, como estou agora, com o teclado no colo deitada nas cadeiras da minha casa que não tem sofá, me sinto acolhida, protegida, sinto a presença de Deus, bem aqui dentro do peito. Obrigada de novo e quantas vezes ainda tiver força a minha voz.
Eu sou uma pessoa de sorte.
E enquanto eu escrevo, esqueço da dor no estômago que estou sentindo.
P.s: os animais das fotos não pertencem a minha família, mas ficam passeando por aqui de vez em quando.
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