quarta-feira, 2 de setembro de 2009

II

Todas as manhãs está no ponto de ônibus da Praça. Paulista está sempre naquele ritmo apavorado. Ela olha as mulheres empinadas no salto-alto e sonha com o dia que deixará para trás seu velho par de tênis, e finalmnte será respeitada. Completou o curso superior há alguns anos, prefere não falar muito sobre ele, tem uma recorrente sensação de fracasso. Embora tenha estudado em uma das mais conceituadas universidades que o mercado oferece. Seu atual emprego não é importante, não paga bem, e não a leva a lugar algum. Não tem perspectiva de carreira e nada além de um dissídio chinfrim. Sofre com a manutenção do maquinário, que a deixa como um operário, tirando todo o seu brilho de mulher e destruindo suas mãos. Anna é fissurada em mãos, pés e barriga. Agora, ela sonha em falar novos idiomas. Inglês, espanhol, francês e italiano. E ela quer viajar por todos os lugares que o tempo e o seu salário lhe permitirem, lugares de sol, de praia, de vento, lugares de mato, chuva, frio e neve ficam por último em sua lista. Anna adora fazer listas, mas não tem muitos projetos a curto prazo, e almeja coisas do imaginário popular brasileiro, como a casa própria.
Uma grande lista de poucos itens e muito longo prazo. Ela escreve suas listas, seus poemas, seus desabafos, e adora ler todo tipo de livro que aparecer, e neles realiza quase tudo que precisa, menos uma coisa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário